Mãos que curam

                                              Escultura de Auguste Rodin

Quando vi , pela primeira vez, essa imagem e sempre que a revejo... minhas mãos se aquecem imediatamente...
Elas sempre fazem isso, quando querem "curar"...
A perfeição, a graça, a leveza dessa escultura, ainda que de pedra, ainda que de pedra requintada, me trouxe a sensação do toque... do toque terapêutico, do toque das mãos em oração... algo que faço muito.
Como uma pedra, ainda que ilustre, mas uma pedra, pode causar tamanha emoção e comoção?
Como que uma pedra, ainda que valiosa, mas uma pedra, pode acender e ascender tantas memórias...?
Esses questionamentos só fazem sentido, quando olhamos apenas para a pedra, com um olhar clássico, ressecado, cartesiano, antiquado, morto...
Isso, à que denominamos apenas a  pedra, ainda que com devoção e glamour , mas apenas a pedra para muitos ...  hoje sabemos ser uma expressão de frequências.
Por isso ela transmite emoção, porque  guarda em sua forma, a emoção de quem a transformou...

Porque ela transmite, a força da forma à qual foi esculpida...
As mãos
E somente consegue perceber, aqueles que já transformaram seu olhar, que olham para o todo, um olhar novo... ou será um olhar resgatado?
Um olhar liberto do cartesiano, um olhar voltado àquilo que foi esquecido.

Um ser, não consegue transformar um bloco de pedra em uma manifestação tão perfeita, se não houver  AMOR em sua intenção... a própria pedra não permitiria isso.
Provavelmente se quebraria ou no mínimo não "tocaria" o olhar de tantas pessoas por tanto tempo; já estaria em algum canto empoeirada.
Não permitiria se transformar em algo tão doce e delicado, se não fosse por AMOR.
As mãos que tocam um outro ser em cura, também devem ser assim...
É como tocar uma pedra valiosíssima ... se for apenas um toque, ela não se transforma...
Mas se for um toque com AMOR ... então podemos ajudá-lo a se auto transformar na mais bela escultura.
Recuperar suas formas, suas funções, resgatar ...
Estamos em um momento de mudanças... e uma delas é a percepção.
Quando tocamos alguém, em busca de cura, de alento, de conforto, devemos ter muito cuidado com a  qualidade desse toque.
Devemos AMAR tocar.
Tocar para transformar.
Nosso toque deve ser o mais cuidadoso possível ainda que, às vezes, deva ser forte e profundo.
Antes de tocar,  perguntar sempre:
É com AMOR que o faço?
E então, elas se aquecerão.

Esse post dedico à duas pessoas que me ensinaram, cuidaram e acompanharam nesse caminho. Com gratidão,   Afonso SalgadoAziza Lurica Noguchi

Um comentário:

denise bondan disse...

Adorei teu texto. Sinto a verdade das tuas palavras...O poder do toque, a necessidade do amor transformador em nós, em tudo e em todos. Parabéns!